quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Pão e Circo

Nas aulas de história que tive com a professora Sirley, lembro-me bem do mapa da europa que, com majestosa prática, ela desenhava e com grande realce fazia surgir uma bota indicativa de um país chamado Itália. Este país nos era apontado como a procedência de nossos ancestrais, o berço de uma civilização histórica e heroica, que deixou um legado cultural, científico e artístico para toda humanidade, principalmente por abrigar uma pequena cidade que tornou-se um dos principais impérios da antiguidade – Roma.

Pena que nós crescemos! A Itália dos que mamavam nas tetas da loba, do Nero - foguista e dos navios que vieram para o Rio Grande não é mais a mesma. A Roma dos gladiadores e dos imperadores ficou para trás, e com a vida aprendi que muitos fatos desta história eu deveria descobrir sozinho, pois nossas aulas não contemplavam tempo necessário para tanta informação, mesmo que nossa professora quisesse repassá-la. Putz... Por que sou tão curioso? Ao passar do tempo descobri uma tática fantástica que era praticada pelos generosos Imperadores ao povo Romano. Uma coisa sábia, tão sábia que copiamos na íntegra e praticamos até hoje cerca de 1.500 anos depois do fim daquele império. Eis a Política do Pão e Circo!

Com o crescimento urbano de Roma surgiram também os problemas sociais. O desemprego era latente e esta massa de desempregados migrou para as cidades romanas em busca de empregos e melhores condições de vida. Claro, preocupado de que pudesse acontecer alguma revolta de desempregados, o imperador criou a política do Pão e Circo, que consistia em oferecer aos romanos alimentação e diversão. Que beleza!!! Quase todos os dias ocorriam lutas de gladiadores nos estádios como o Coliseu em Roma, onde eram distribuídos alimentos. Desta forma, a população carente acabava esquecendo os problemas da vida, diminuindo as chances de revolta e a insatisfação popular contra os governantes, e para o imperador esse contato com o público era importante, pois ele não corria o risco de isolar-se e o público o aplaudia em cada aparição.

Claro que um pouco desta tática que considero mera coincidência, mas, praticada em alguns governos, veio no sangue romano por navio, outro pouco por influência de Maquiavel, que relembrou aos governantes de como enganar a plebe, nós, o povo, mas que com o nosso jeitinho romano/brasileiro de ser, aprimoramos e transformamos no churrasquinho de final de semana, da peladinha com o “xixo” e o choppinho ganhado de um patrocinador aqui e ali, das canções em palcos improvisados, do remedinho levado em casa, do mate lavado que nossa sociedade geneticamente aderiu.

Na sociedade organizada ou em nosso convívio mesmo, deixamos de discutir questões primárias de desenvolvimento, de políticas públicas em todos os níveis de atendimento, de geração de emprego, investimentos, de vida em comunidade, pelo simples fato de nos contentarmos com o circo! Temos o circo, somos os palhaços e o pão se ajeita.

As conseqüências e o custo desta política para Roma foram enormes, os impostos foram elevados, sufocaram as finanças do império e o último imperador foi deposto em 476 d.C.

As conseqüências desta política para Joaçaba... Uffa! Quase escrevi bobagem – ainda bem que ela não chegou por aqui e nós somos bem diferentes dos romanos!

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